Empresário de Paraguaçu propõe união em torno da reativação das thermas 

Empresário de Paraguaçu propõe união em torno da reativação das thermas 

Por Dante Mantovani 

No interior do estado de São Paulo existem apenas três poços perfurados pela Petrobras: Paraguaçu Paulista, Presidente Epitácio e Olímpia. A Petrobras, originalmente criada para explorar petróleo em todo o país, chegou a perfurar poços no interior nas décadas passadas — alguns chegando a 3.000 metros. O resultado não foi óleo, mas um recurso diferente e precioso: água quente, termal.

Na década de 1980, uma nova tentativa de exploração estadual também não encontrou petróleo, mas revelou fontes de água quente. Empresários locais organizaram a captação e criação de clubes e parques aquáticos em Paraguaçu Paulista e Presidente Epitácio. Em Olímpia, a iniciativa foi conduzida pela própria prefeitura. Nasceu assim um pólo de turismo termal que transformou a economia dessas cidades.

Essas fontes são tidas como termais e medicinais, com benefícios para a saúde reconhecidos pela população que as frequenta. Hotéis, restaurantes, agências de turismo e todo o comércio local crescem ao redor desses complexos. Em Olímpia, por exemplo, o turismo termal virou motor econômico que atrai milhões de visitantes.

Apesar do sucesso turístico, a operação desses poços esbarrou em exigências federais. Em 2009 houve ordem de lacre para o poço em Paraguaçu por falta de licenciamento; em Presidente Epitácio a cobrança incluiu multas altas por suposto dano ambiental. A argumentação oficial aponta risco ao abastecimento urbano e potenciais impactos sanitários, mas muitos moradores e empresários questionam essas alegações.  A agencias governamentais afirmam que as águas são termais, são medicinais, têm ótimos efeitos para a saúde, mas alegam (sem nenhuma comprovação) que isso estaria causando dano ao meio ambiente.

O Aquífero Guarani é uma das maiores reservas subterrâneas de água do mundo e se estende por São Paulo, Paraná, Argentina e Paraguai. Há quem defenda que a existência de grandes aquíferos e mananciais regionais inviabiliza a alegação de risco sério de escassez por causa da exploração controlada de fontes termais. Por outro lado, reguladores federais exigem estudos e licenças para garantir proteção ambiental e abastecimento.

Impactos socioeconômicos e argumentos a favor da reabertura

O fechamento desses parques não é apenas uma questão de lazer: representa perda de emprego, renda e dignidade para comunidades inteiras. Os principais argumentos a favor da reabertura incluem:

  • Geração de empregos diretos e indiretos em turismo, hotelaria e comércio.
  • Desenvolvimento regional com aumento de arrecadação e serviços.
  • Aproveitamento de recurso local que, quando bem gerido, beneficia a população.
  • Potenciais usos terapêuticos e de reabilitação por tratar-se de águas termais.

Por que a disputa persiste?

Parte da controvérsia inclui interesses diversos: burocracia federal, medo de precedentes de exploração sem controle, e, segundo críticos, pressões de grupos econômicos que desejam concentração do uso de recursos hídricos. Há ainda a questão técnica: licenciamento ambiental e comprovação de que a captação não prejudica o abastecimento de cidades.

Caminhos possíveis para avançar

Algumas soluções práticas que têm sido discutidas ou aplicadas em situações similares:

  1. Perfuração de poços alternativos próximos ao original, como foi feito em Olímpia, para manter a atividade enquanto se regulariza a situação.
  2. Negociações entre prefeituras, setores de turismo e órgãos federais para criar regras claras de uso e monitoramento.
  3. Estudos de impacto hídrico e ambiental que comprovem sustentabilidade da exploração.
  4. Mobilização política e social para atualizar normativas consideradas obsoletas e que impedem iniciativas locais de geração de renda.

O que está em jogo

Reabrir e regularizar o uso das águas termais pode significar retomar um ciclo de prosperidade local. Fechar esses parques mecanicamente, sem diálogo e sem alternativas, joga fora oportunidades de trabalho e de desenvolvimento municipal. Ao mesmo tempo, qualquer solução tem de garantir proteção ambiental e abastecimento, com transparência técnica e participação comunitária.

A discussão sobre águas termais no interior paulista coloca em pauta questões maiores: quem decide sobre recursos naturais, como equilibrar proteção ambiental com desenvolvimento econômico, e quando regras precisam ser atualizadas para atender a realidades locais. As águas pertencem à população, mas sua gestão exige regras claras, justas e atualizadas. O que você pensa sobre isso? Devemos priorizar o turismo e a geração de empregos com regramento técnico adequado, ou manter bloqueios até que normas federais sejam estritamente aplicadas? Compartilhe sua opinião e converse com quem conhece Olímpia, Paraguaçu Paulista e Presidente Epitácio.

Dante Mantovani é maestro e empresário do turismo 

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